

Florianópolis investe na gestão de resíduos para se tornar primeira Capital Lixo Zero do país – Foto: Andy Puerari/PMF
Longe de ser um problema a ser enterrado, o lixo em Florianópolis é tratado como um recurso estratégico — que gera economia, movimenta a cadeia produtiva, educa e transforma. Até 2030, a capital catarinense pretende tornar-se a primeira Capital Lixo Zero do país. A meta pode parecer ambiciosa, mas vem sendo construída há anos com muito trabalho e iniciativas concretas que colocam Florianópolis como referência em gestão de resíduos com inovação e seriedade.
Em 2023, mais de R$ 4,6 milhões foram economizados com o desvio de resíduos do aterro sanitário. Foram 1,4 mil toneladas de recicláveis secos e 4,5 mil toneladas de orgânicos reaproveitados. A intenção é dar novo destino a 60% dos resíduos secos e 90% dos orgânicos, conforme o Plano Municipal Integrado de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Escola Lixo Zero: onde começa a mudança
Nas salas de aula da rede municipal de ensino, um novo tipo de aprendizado vem se consolidando: o de cuidar dos resíduos desde a origem. Em 2023, o projeto Escola Lixo Zero foi implantado em 35 unidades escolares de Florianópolis. E mais do que ensinar sobre meio ambiente, ele coloca a gestão de resíduos no dia a dia dos alunos.
Cada escola recebeu um kit completo: composteiras com capacidade para 350 quilos por mês, horta escolar, contentores, balanças para monitoramento, lixeiras coloridas e sacos específicos para recicláveis e orgânicos. O programa inclui ainda coleta seletiva de embalagens, vidro (com caminhão ou PEVs próximos) e restos orgânicos.
Na prática, os estudantes aprendem a separar, pesar, compostar e reaproveitar o que antes seria simplesmente descartado. Um ciclo que forma cidadãos mais conscientes — e que leva a mudança também para dentro das casas.
Do lixo ao legado: Museu e Minhoca na Cabeça
Fora das escolas, a educação ambiental também ganha força. Desde 2003, o Museu do Lixo é uma vitrine do que Florianópolis defende: resíduo tem história, tem alerta e pode virar ferramenta de transformação. São mais de 40 mil itens salvos do descarte, reunidos no acervo que compõe o Circuito do Lixo — um percurso que mostra, na prática, como os materiais são tratados no CVR (Centro de Valorização de Resíduos).

Desde 2003, o Museu do Lixo é uma vitrine do que Florianópolis defende – Foto: Andy Puerari/PMF
Já dentro das casas, o projeto Minhoca na Cabeça transforma a compostagem em hábito acessível. A prefeitura doa minhocários para moradores interessados, incentivando o reaproveitamento dos restos orgânicos. A estimativa é que, até 2030, o projeto gere uma economia de R$ 17 milhões — entre gastos evitados com aterro e ganhos com o composto produzido.
Mais ecopontos e referência nacional na reciclagem de vidro
Com a ampliação de cinco para nove ecopontos em 2023, Florianópolis reforçou a estrutura de descarte correto e colheu resultados expressivos: 11,8 mil toneladas de resíduos desviadas do aterro e R$ 2,8 milhões economizados em transporte e destinação. É menos custo, menos poluição e mais consciência no cotidiano da cidade.
No caso do vidro, o modelo virou exemplo. Florianópolis foi a primeira capital do Sul do país a implantar PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) exclusivos para vidro, ainda em 2014. O que começou com 10 pontos já passou de 290 — são 296 distribuídos pelos bairros.
Os números impressionam: são 165 toneladas de vidro reaproveitadas por mês. Todo esse volume é triado por cerca de 200 famílias que vivem da reciclagem. Cada garrafa descartada vira nova embalagem, evita o uso de matéria-prima virgem e ainda reduz as emissões de CO₂.
“Além de evitar o descarte incorreto, os PEVs impulsionam a economia circular e geram trabalho e renda com impacto ambiental positivo”, afirma Karina da Silva de Souza, engenheira sanitarista da Secretaria do Meio Ambiente.
Verdes que viram solução

Em 2024, a cidade recolheu 7.130 toneladas de resíduos verdes – Foto: Andy Puerari/PMF
Em 2024, a cidade recolheu 7.130 toneladas de resíduos verdes — galhos, folhas, troncos. Todo esse material é triturado e reaproveitado em hortas, paisagismo e compostagem. A previsão é de crescimento de até 30% no volume coletado ainda neste ano, com até 17 coletas programadas por região.
“Cada fração de resíduo tem valor. A coleta seletiva de verdes é um passo importante para incentivarmos práticas mais sustentáveis”, reforça o secretário Alexandre Waltrick Rates.
O serviço é feito com caminhões compactadores de grande porte e exige regras específicas — como o uso de sacos compostáveis. Vale lembrar: empresas de jardinagem não são atendidas pelo serviço e devem levar seus resíduos ao CVR.
Linha do tempo: como Florianópolis chegou até aqui
- 2003 – Criação do Museu do Lixo e do CVR
- 2014 – Implantação dos primeiros PEVs exclusivos para vidro
- 2020 – Coleta seletiva passa a incluir resíduos orgânicos
- 2023 – Lançamento do Escola Lixo Zero, ampliação dos ecopontos e início da coleta de verdes
- 2024 – Coleta de verdes cresce 40%, PEVs de vidro chegam a 296 unidades
- 2030 (meta) – Florianópolis quer ser a primeira Capital Lixo Zero do Brasil, com 60% dos recicláveis secos e 90% dos orgânicos reaproveitados
Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.